- Foi sem querer.
- Não, não foi, você sabia, sabia desde o começo.
- Não pude prever.
- Volta, fica...Perdão...
- Não posso perdoar.
- Por que?
- Porque desamor é a pior ofensa possível.
- Mas você não me amava...como pode exigir...
- Não interessa...Não te absolvo!
sábado, 27 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Indefesa, em defesa
Estava na janela, sem nada, por nada, ócio mental.
Olhar perdido no vento, na árvore que balança precária. Meu pai também ficava olhando essa árvore... Posso ter esse olhar de volta, e jamais terei aqueles olhos outra vez. Gosto da árvore e do olhar que me traz.
Lá, em cima da colina, as crianças gritam, é uma escola. Quatro meninas correm desnorteadamente. Observar a vida alheia é bem mais confortável que lidar com nossas próprias lembranças.
Estão eufóricas com uns artefatos que parecem ter conseguido por lá mesmo, nos fundos da escola. Tem cordas e pedaços de tábuas. Fiquei mesmo curiosa com o que pudessem fazer com isso.
Crianças, tão lindas! Quando fico frustrada e cansada com o peso de tudo, por vezes olho crianças e penso: ainda há um jeito!
Cena quase bucólica, não fossem a madeira e a corda, até mesmo pássaros há na colina. Lembrei-me de Olhai os lírios do campo, de Érico Veríssimo. Crianças tão inocentes quanto pássaros.
Havia uma líder entre as quatro; uma segunda que seguia fielmente a líder; uma terceira medrosa que parecia não querer fazer uso dos artefatos; e a quarta totalmente apática. Sempre há um apático em toda historia.
Por fim descubro o porquê da tábua e da corda: ambas são pra tentar atingir os pássaros.
Estão as quatro antes elfas, tentando matar, exterminar os pássaros. Os lírios do campo foram despetalados. Maquiavel pareceu-me bem mais apropriado. Retive meus pensamentos. Há situações sobre as quais a reflexão leva ao abismo. Melhor alienar-me.
O vigilante chegou para proteger...
Proteger a quem?
Olhar perdido no vento, na árvore que balança precária. Meu pai também ficava olhando essa árvore... Posso ter esse olhar de volta, e jamais terei aqueles olhos outra vez. Gosto da árvore e do olhar que me traz.
Lá, em cima da colina, as crianças gritam, é uma escola. Quatro meninas correm desnorteadamente. Observar a vida alheia é bem mais confortável que lidar com nossas próprias lembranças.
Estão eufóricas com uns artefatos que parecem ter conseguido por lá mesmo, nos fundos da escola. Tem cordas e pedaços de tábuas. Fiquei mesmo curiosa com o que pudessem fazer com isso.
Crianças, tão lindas! Quando fico frustrada e cansada com o peso de tudo, por vezes olho crianças e penso: ainda há um jeito!
Cena quase bucólica, não fossem a madeira e a corda, até mesmo pássaros há na colina. Lembrei-me de Olhai os lírios do campo, de Érico Veríssimo. Crianças tão inocentes quanto pássaros.
Havia uma líder entre as quatro; uma segunda que seguia fielmente a líder; uma terceira medrosa que parecia não querer fazer uso dos artefatos; e a quarta totalmente apática. Sempre há um apático em toda historia.
Por fim descubro o porquê da tábua e da corda: ambas são pra tentar atingir os pássaros.
Estão as quatro antes elfas, tentando matar, exterminar os pássaros. Os lírios do campo foram despetalados. Maquiavel pareceu-me bem mais apropriado. Retive meus pensamentos. Há situações sobre as quais a reflexão leva ao abismo. Melhor alienar-me.
O vigilante chegou para proteger...
Proteger a quem?
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Pavor
Destruiu todas as rosas por medo do perfume
Roubou todas as placas receando chegar ao destino
Manteve-se por vidas acordado por medo de sonhar
Trancou-se como um cofre temendo receber carinho
Fechou seus olhos pra não ver a sinceridade
Afastou-me de seu corpo pra continuar sentindo frio
Não viveu por medo de ser feliz...
Roubou todas as placas receando chegar ao destino
Manteve-se por vidas acordado por medo de sonhar
Trancou-se como um cofre temendo receber carinho
Fechou seus olhos pra não ver a sinceridade
Afastou-me de seu corpo pra continuar sentindo frio
Não viveu por medo de ser feliz...
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Miseráveis no Orkut
O Orkut é o um dos lugares em que mais se expõe a miséria humana. Não to falando de miséria de dinheiro não. Miséria no sentido mais abrangente: de vidas miseravelmente fúteis, miseravelmente estúpidas, miseravelmente vazias. A miséria de comentários miseravelmente hipócritas, como vejo às vezes em fotos, notadamente horrorosas, logo abaixo: “Nossa como você está linda/o”.
O Orkut é o show da solidão. O reality do profundo tédio.
Se tenho Orkut? Sim, tenho. Se sinto solidão? Sim, sinto.
Se pego meu celular e tiro 45 fotos de mim mesma e coloco em um álbum intitulado “Eu” ?
Não, esse grau de bestialidade ainda não me acometeu, Como já passei, a muito, da adolescência creio mesmo que não mais acometerá.
Penso que vida triste e vazia de alguém que tira fotos e mais fotos de si mesmo (de tão parecidas que precisaria ser perito pra ver a diferença), na sua própria casa, no banheiro, em lugares com fundos horríveis e coloca lá no Orkut. É muita necessidade de dizer aos outros que existe, mesmo assim, miseravelmente.
Se tenho fotos ridículas, nas quais fiquei feia? Claro que tenho. Só que tenho, também, o cuidado de apagá-las, de não expo-las, pra não ouvir um “Nossa que linda”, numa foto miseravelmente ridícula minha.
Outro dia, naquele Quem sou eu vi isto: “bla bla bla, bla bla bla....boêmio”.
Detalhe essa pessoa raramente sai de casa. Como alguém que não tem onde ir e não vai a lugar algum pode intitular-se boêmio?
Miséria, a mais absoluta condição da solidão que leva a miséria.
Se o Google fosse uma pessoa, eu atravessaria a rua quando a encontrasse, de vergonha.
O Orkut é o show da solidão. O reality do profundo tédio.
Se tenho Orkut? Sim, tenho. Se sinto solidão? Sim, sinto.
Se pego meu celular e tiro 45 fotos de mim mesma e coloco em um álbum intitulado “Eu” ?
Não, esse grau de bestialidade ainda não me acometeu, Como já passei, a muito, da adolescência creio mesmo que não mais acometerá.
Penso que vida triste e vazia de alguém que tira fotos e mais fotos de si mesmo (de tão parecidas que precisaria ser perito pra ver a diferença), na sua própria casa, no banheiro, em lugares com fundos horríveis e coloca lá no Orkut. É muita necessidade de dizer aos outros que existe, mesmo assim, miseravelmente.
Se tenho fotos ridículas, nas quais fiquei feia? Claro que tenho. Só que tenho, também, o cuidado de apagá-las, de não expo-las, pra não ouvir um “Nossa que linda”, numa foto miseravelmente ridícula minha.
Outro dia, naquele Quem sou eu vi isto: “bla bla bla, bla bla bla....boêmio”.
Detalhe essa pessoa raramente sai de casa. Como alguém que não tem onde ir e não vai a lugar algum pode intitular-se boêmio?
Miséria, a mais absoluta condição da solidão que leva a miséria.
Se o Google fosse uma pessoa, eu atravessaria a rua quando a encontrasse, de vergonha.
domingo, 24 de maio de 2009
Eu quero é mais!
Hoje fui fazer uma prova de concurso público no bairro de Moema. Na volta, sem pressa nenhuma, andando pelas belas ruas de Moema, zona sul de São Paulo, extremamente rica, pensei: como rico vive! Não se trata de viver bem, trata-se de viver. As casas, aquilo são casas em que se deva morar, aquilo é estar num asilo inviolável, como diria a nossa pândega constituição.
Disso me veio a lembrança de algo de detesto: esse ideal estúpido e estoicista que o capitalismo e a igreja católica passaram, o ideal da pobreza.
Quantas canções, livros, novelas, filmes, enfim, quantas expressões artísticas, passam essa apologia a pobreza?
Centenas, muitas, o próprio catolicismo abençoa os pobres, amaldiçoa os ricos. Os pobres são ensinados e estarem felizes por serem pobres. Nos filmes e novelas a protagonista é sempre aquela que não gosta de dinheiro.
Eis a extrema hipocrisia exercida. Como se gostar de conforto e de viver bem fosse a negação de valores como amizade sincera, amor verdadeiro, caridade, solidariedade e justiça. Quem disse isso?
Certamente quem detinha o poder, a inteligência e o dinheiro.
Querer ter uma vida maravilhosa não significa, necessariamente, abrir mão de sentimentos elevados.
Não penso em abrir mão de amigos de verdade, de momentos de beleza e simplicidade, de minha espiritualidade, mas quero, como quero e esforço-me pra isso, ter uma vida muito confortável.
Pra mim falta de dinheiro não traz felicidade!
Disso me veio a lembrança de algo de detesto: esse ideal estúpido e estoicista que o capitalismo e a igreja católica passaram, o ideal da pobreza.
Quantas canções, livros, novelas, filmes, enfim, quantas expressões artísticas, passam essa apologia a pobreza?
Centenas, muitas, o próprio catolicismo abençoa os pobres, amaldiçoa os ricos. Os pobres são ensinados e estarem felizes por serem pobres. Nos filmes e novelas a protagonista é sempre aquela que não gosta de dinheiro.
Eis a extrema hipocrisia exercida. Como se gostar de conforto e de viver bem fosse a negação de valores como amizade sincera, amor verdadeiro, caridade, solidariedade e justiça. Quem disse isso?
Certamente quem detinha o poder, a inteligência e o dinheiro.
Querer ter uma vida maravilhosa não significa, necessariamente, abrir mão de sentimentos elevados.
Não penso em abrir mão de amigos de verdade, de momentos de beleza e simplicidade, de minha espiritualidade, mas quero, como quero e esforço-me pra isso, ter uma vida muito confortável.
Pra mim falta de dinheiro não traz felicidade!
terça-feira, 12 de maio de 2009
Estranha, diferente, exótica, esquisita, eu.

Já disse, aqui mesmo, isso da diferença é algo, contemporaneamente, caçado como focas no Alasca (comparado com algo escabroso, porque o é).
Pense numa caçada. Pensou? Caçar ser diferente é inútil. É quase como ter sensibilidade. Ou se nasce com ela, ou não. O que se pode fazer é apurá-la, no máximo. Um ser tosco e insensível e grosso e estúpido e boçal, jamais verá a beleza cândida e inebriante de um nascente do sol, jamais.
Mas isso de ser diferente é como ter sardas (eu tenho): todos acham muito bonitinho, quem tem geralmente detesta, faz tudo pra mudar, tenta arrancar de si, faz de tudo, até que desiste e passa a conviver com elas, as sardas.
Eu já quis ser como todos. Fazer parte da maioria. Nunca consegui. Hoje sou assumidamente diferente, estranha, exótica, esquisita, depende da boca que fala.
Sou alguém sem amarras, nem mesmo sotaque eu tenho. Sou paulistana. Nascida na Mooca, muito paulistana. Meu pai era extremamente paulistano. E eu não tenho sotaque. Não tenho sotaque de lugar algum.
Porque não tem uma caixa de onde eu tenha saído. Não tem uma série ou lote que seja minha. Não há um grupo ao qual eu pertença. Nada. Antes isso me assustava um pouco, hoje não mais.
Adoro quando me acusam de ser estranha. Quando perguntam de que planeta eu vim. Adoro dizer que leio todos os manuais de todos os produtos eletroeletrônicos, antes de ligá-los e tantas outras coisas assim.
Sou assim arianamente assim, ao menos com o meu signo tenho alguma simbiose.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Minha amiga Zon
Carla Zonzini, a Zon, o ser mais delicado e generoso posto no mundo. Alguém completa e totalmente incapaz de magoar deliberadamente outra pessoa. Um ser único. Sua sensibilidade é latejante, sua inteligência altamente sofisticada. Com tudo isso não é necessário dizer da dor que já sentiu, das coisas lindas que diz e escreve e ainda, ainda, é desconcertadoramente modesta. Mas modéstia real, não hipocrisia.
Estudamos juntas, vivemos quatro anos de amizade juvenil. Eu uma tola, muito mais tola que hoje, ainda mais impulsiva, se é que isso é possível. Zon, sempre o ser iluminado, diferente de todas as pessoas do mundo, unicamente Zon.
Eu a ensinei a gostar de seu sobrenome, Zonzini, chamando-a de Zon, querida!
Ela, ela me ensinou que realmente "ter bondade é ter coragem" e muitas, inúmeras, outras coisas... Entre elas uma que me lembro sempre: gostar dos dias nublados, dizia que a faziam sentir uma vontade imensa de viver. Todos os dias nublados da minha vida, desde então, trazem-na junto.
Hoje sonhei com Zon, sonhei que estavamos outra vez no colégio, acordei as gargalhadas. Liguei pra ela.
Zon, "um exemplo de bondade e respeito". Amiga que amarei, enquanto viver.
Estudamos juntas, vivemos quatro anos de amizade juvenil. Eu uma tola, muito mais tola que hoje, ainda mais impulsiva, se é que isso é possível. Zon, sempre o ser iluminado, diferente de todas as pessoas do mundo, unicamente Zon.
Eu a ensinei a gostar de seu sobrenome, Zonzini, chamando-a de Zon, querida!
Ela, ela me ensinou que realmente "ter bondade é ter coragem" e muitas, inúmeras, outras coisas... Entre elas uma que me lembro sempre: gostar dos dias nublados, dizia que a faziam sentir uma vontade imensa de viver. Todos os dias nublados da minha vida, desde então, trazem-na junto.
Hoje sonhei com Zon, sonhei que estavamos outra vez no colégio, acordei as gargalhadas. Liguei pra ela.
Zon, "um exemplo de bondade e respeito". Amiga que amarei, enquanto viver.
Assinar:
Postagens (Atom)